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Demolições no Sequele deixam mais de 500 famílias sem abrigo e fazem duas mortes

Mais de 500 famílias ficaram sem abrigo no Sequele, província do Icolo e Bengo, após a demolição das suas casas entre 22 e 25 de Setembro, numa operação das autoridades locais que, segundo moradores, provocou ainda a morte de um recém-nascido e de uma mulher, além de dois feridos.

Registro autoral da fotografia

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José Ngonga, membro da comissão de moradores do chamado “Bairro Sequele Zero”, afirma que as forças de defesa e segurança chegaram ao local sem aviso prévio e avançaram para a destruição das residências. Os moradores contestam a versão de ocupação ilegal apresentada pelas autoridades e garantem possuir documentos que comprovam a permanência no espaço desde 2018. “Neste momento, estamos a pedir ajuda, porque não sabemos onde é que essas crianças vão estar e depois já estamos na época das chuvas”, afirmou.

A Administração Municipal do Sequele sustenta que a intervenção teve como objectivo “a reposição da legalidade e a salvaguarda da reserva fundiária do Estado”. Segundo a instituição, a área não constitui um bairro reconhecido no ordenamento territorial e está destinada à instalação de uma zona industrial. A administração garante ainda que a operação foi antecedida por avisos, acções de sensibilização e advertências aos ocupantes.

As demolições provocaram reacções nas redes sociais e levaram deputados da UNITA a visitar as famílias afectadas. O partido condenou a operação e apontou alegadas violações dos direitos humanos, defendendo que uma eventual expropriação por utilidade pública deve obedecer às garantias legais, incluindo justa e pronta indemnização. A UNITA acusa ainda o administrador municipal de ter recusado receber a delegação parlamentar, enquanto a administração afirma que os deputados foram recebidos, mas que o encontro terminou após um momento de tensão e alegadas agressões verbais.

A controvérsia permanece sem uma versão independente sobre as circunstâncias das duas mortes e dos ferimentos registados durante as demolições. A Lusa tentou obter esclarecimentos adicionais junto da Administração Municipal do Sequele, mas não conseguiu contacto com a instituição.