Estado ´toma´ a maior fazenda da região leste por falta de capacidade produtiva do gestor
O Estado vai voltar a gerir a maior fazenda da região leste do país. Trata-se da fazenda de Camaiangala – localizada no município de Camanongue, no Moxico – que regressa às ‘mãos’ estatais cerca de cinco anos depois de ter sido privatizada, devido à falta de capacidade produtiva da nova gestão.

Registro autoral da fotografia
Enquadrada no Programa de Privatizações (Propriv), a privatização da fazenda foi realizada em 2019, tendo a sua gestão sido assumida pelo grupo FF Empreendimentos, que, na altura, celebrou um contrato de adjudicação no valor de 10 milhões de dólares, em comparação com os 55 milhões de dólares que custou a construção do empreendimento, escreve a Angop.
Ainda nesse ano, depois de adquirir a fazenda, o gestor decidiu apostar na produção de cereais e recolheu 340 toneladas de milho, das 1200 que se previam. Desde então, houve uma redução gradual na produção agrícola, culminando no actual estado de inactividade da fazenda.
Esta situação levou o Estado a intervir e recuperar a infra-estrutura agrícola para a sua esfera. Segundo explicou António Maia Sandjesse, director do gabinete provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, depois de um estudo e situação inoperante devido a suposta falta de financiamento, o Estado decidiu recuperar o empreendimento.
O director acrescentou que o Estado está agora a trabalhar na criação de mecanismos para lançar um novo concurso para a infra-estrutura.
Esclareceu ainda que devido ao facto de o gestor não “ter honrado o pagamento na totalidade”, o Estado interveio.
“Pelo facto da empresa não ter honrado o pagamento na totalidade, acordo com o contrato firmado com o Ministério das Finanças, o Estado recuperou a fazenda”, adiantou, citado pela Angop.
O responsável falou ainda sobre a fazenda Sacassange, que se situa no sul da cidade do Luena. Privatizada em 2018 para as mãos do grupo GAPPIL, a fazenda encontra-se a operar parcialmente, registando uma “ligeira produção” ao apostar no milho, bem como criação de animais, embora distante do desejado.
Segundo a Angop, no futuro próximo, esta fazenda poderá receber 15 mil pintos no sentido de criar e desenvolver animais.
Refira-se que a fazenda de Camaiangala está instalada em 18 mil metros quadrados e foi criada pelo Governo, no quadro do programa que visa combater a fome e diminuir a pobreza, com o objectivo de cultivar milho, feijão, soja e carne. Conta com uma estrutura com 3300 metros quadrados de área residencial, compreendendo uma habitação com vários dormitórios, escritório, restaurante, etc.
No projecto agrícola haviam três elementos: um voltado para a produção de grãos (milho e soja), outro focado na fabricação de fuba de milho para consumo humano e rações e um terceiro dedicado à criação de suínos, vinculado igualmente a um matadouro.
C/VA
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